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VIENA

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Viagens e Turismo em Viena

 

 

Turismo Viena - Áustria

 

VIENA

Os salões, palácios, bares, teatros, museus, cafés e ruas da cidade mais musical da Europa ganham um novo sopro de vida no aniversário da Áustria, que completa um milênio de existência

À primeira vista, o maior parque de Viena, o Stadtpark, não tem nada que o diferencie de qualquer outro parque do mundo. Lá estão as árvores, o verde crianças brincando, lago com patinhos, casais namorando, o sol brilhando acima de tudo. Nem muito grande ele é, ainda mais se comparado aos frondosos contornos do Parque Ibirapuera, em São Paulo, do Central Park, em Nova York, ou do Hyde Park, de Londres. Mas, na verdade, o que há lá dentro não tem paralelo: o espírito e os símbolos de uma das eras mais esplendorosas da arte e da cultura ocidentais, uma era que divagava com Freud e Wittgenstein, e depois relaxava com Mozart, Mahler, Strauss, Haydn, Schubert, Brahms e Beethoven.

No Stadtpark, depois que se passa o lago, há uma coluna de árvores que faz a curva à direita. Assim que a folhagem vai permitindo a visão, aparece à frente um monumento dourado, rodeado de flores coloridas. É a estátua de Johann Strauss, autor da valsa mais conhecida do mundo, o Danúbio Azul, um compositor que, apesar de embalar legiões de casais ao som de sua música, preferia ser devorado por tubarões do que ser obrigado a dançar. Prestando-se atenção, percebe-se que há música no ar, uma peça do próprio Strauss. Você está perto de uma das doces surpresas de Viena. Mais alguns passos adiante e lá está a origem da música.

Debaixo do sol de fim de tarde dominical e da brisa fresca, em um pequeno coreto, o maestro rege um quarteto de cordas, violinos, contrabaixo, o farfalhar das árvores como pano de fundo, sonatas de Mozart, valsas de Strauss, trechos de sinfonia de Mahler, a música dos anjos num domingo no parque. Defronte do quarteto, cerca de 100 pessoas estão sentadas às mesas do Kursalon, um dos milhares de cafés vienenses, que, mais do que estabelecimentos propícios para encontros, para ler jornais à la francesa ou tomar drinques, são uma instituição da cidade - eles são tantos que já se disse que Viena foi construída ao redor de seus cafés. As pessoas - turistas, vienenses, austríacos das cidades próximas - parecem em êxtase. Elas tomam algum dos quinze tipos de café do menu, saboreiam tortas esplêndidas, como a sachertorte (outro patrimônio nacional), e apreciam espetáculo. Sentando-se ali, a impressão que se tem é que Viena, seus palácios, balés, museus, cafés, parques e concertos parecem ter sido feitos para que a alma se delicie e a memória não se desfaça jamais do que os olhos viram e o corpo sentiu.

Viena é a cidade mais musical da Europa, talvez do mundo. Até os deliciosos e crocantes pães, ao serem apertados, soam como instrumentos de percussão na terra em que Mozart e Strauss se apresentavam a platéias palacianas, nos tempos em que Viena era a capital de um império gigantesco, o austro-húngaro, cujo hino nacional era cantado em treze diferentes línguas e que abrangia desde o norte da Itália, passando pela Europa Central, até as mais distantes fronteiras dos Balcãs, abarcando dezessete nacionalidades diferentes. O império não existe mais desde a Primeira Guerra Mundial, as bombas da Segunda ceifaram as inteligências mais cintilantes de então (a maioria de origem judaica) e também arrasaram com igrejas, a animação dos bailes, salas de concerto, e muitas outras coisas e edificações centenárias, mas a cidade ainda hoje, e cada vez mais, respira música, de todos os tipos.

Que isto fique claro: não é porque Viena foi uma cidade imperial, com longa tradição em mesuras e pompas clássicas, que as engrenagens da cidade emperraram devido ao mofo. Do mesmo modo, nem se pense que as explosões da Segunda Guerra Levaram pelos ares a vitalidade e a energia. E certo que o processo de recuperação continua - não é difícil deparar com guindastes trabalhando e com fachadas sendo restauradas -, mas nem de longe Viena lembra a cidade triste de meados dos anos 70, quando os cafés andavam sem vida e os poucos bares lembravam velórios. Atualmente, a vida exala e cresce como as flores dos parques. Os chapéus bicudos da época da corte só existem como chamariz para turistas na cabeça de Mozarts fantasiados que vendem ingressos para o show da noite. As perucas empoadas das cortesãs, por sua vez, foram substituídas pelos cabelos coloridos dos adolescentes e as medalhas de batalha, trocadas pelos piercings, numa mudança embalada por sons de todos os estilos e decibéis.

Para quem tem alma juvenil ou crianças para distrair, Viena tem parque de diversões, o Volksprater, com uma das maiores rodas-gigantes do mundo, construída em 1896. Para os românticos, cenários lindos e carruagens para apresentá-los. Para quem gosta de estilos arquitetônicos, é um museu a céu aberto, que inclui até obras modernas como a Hundertwasser Haus, de 1985, um prédio, assinado pelo arquiteto de mesmo nome, em que cada apartato tem fachadas diferentes, com janelas irregulares, jardim no teto, cerâmicas e tintas coloridas nas paredes. Mesmo coisas que são patrimônio da humanidade, como a Figaro Haus, a casa onde Mozart morava, e a Sala Terrena, onde tocava para os amigos, não são mantidas sob uma redoma. A casa está habitada e normalmente há concertos de violão e celo na Sala Terrena. Já seria bastante, mas nem de longe Viena se restringe a isso.

Ao mesmo em que o quarteto de cordas apresentava harmonias sinfônicas no Stadtpark, as ruas centrais da cidade eram interditadas para dar lugar a um show de rock de um grupo austríaco. Enquanto a bateria atropelava a guitarra, que tropeçava no baixo, que desconsiderava o teclado, um galera de cerca de 2 mil jovens com cabelos cor de laranja, amarelo-canário, azul-celeste e verde-limão, entre outras cores até então inexistentes, se acabava de tanto pular e se sacudir, indiferente à proximidade da veneranda Casa de Ópera, cujas portas foram abertas em maio de 1869 para os acordes do Don Giovanni, de Mozart, ou dos 700 anos de arquitetura do Hofburg, o complexo palaciano em cujas salas a dinastia dos Habsburgo dava muitíssimo mais atenção e incentivo à cultura e à arte do que às necessidades do povo. Hoje, o mundo agradece, embora quem tenha vivido naquela época do lado de fora dos muros do palácio talvez preferisse mais pão e menos circo.

Durante o dia, entre a angelical música clássica e a pedreira do rock, estão os artistas que, como camelôs culturais, expõem a sua mercadoria artística nas calçadas. São trios de jazz, latinos que assopram pífanos e flautas, violeiros espanhóis, poloneses que tocam acordeão, bumbo. pratos e gaita ao mesmo tempo, duplas que deslizam arcos em violoncelos e violinos. Isso sem contar os retratistas, desenhistas e pintores que disputam o ponto na entrada dos palácios e museus, ou os orientais que manipulam marionetes, ou ainda os atores caracterizados de ciganos que divertem uma roda de turistas, ou mesmo o grupo de dança folclórica que interrompe o trânsito dos coches típicos. Ao cair da tarde, os artistas começam a se preparar para subir nos palcos e os turistas e vienenses consultam pilhas de roteiros, jornais e programações para descobrir o que está sendo encenado, tocado ou representado e em qual teatro, bar ou casa de concerto.

Por noite, há cerca de 200 espetáculos e shows em Viena. Podem ser óperas no Burgtheater, o mais prestigiado palco de língua germânica, ou sinfonias no Konzerthaus. Ou a ginga da world music, as batidas sempre iguais e os refrões chatíssimos de rap e funk, a pauleira do rock ou os improvisos de jazz em Schwedenplatz, uma concentração de bares e casas de música ao vivo que, durante o dia, não se dá um tostão por ela, mas que, à noite, faz a alegria do vivente. A região é tão animadinha que foi batizada pelos vienenses de Triângulo das Bermudas, devido ao grande número de pessoas que desapareceu de lá sem deixar traço para depois reaparecer em cama alienígena ao lado de companhia não identificada. Enquanto o som faz a trilha sonora para os flertes, o povo se esbalda com cafés (cremosos, com uísque, com coquetel de bebidas, fumegantes, frios, com sorvete), cafés de todos os tipos e jeitos, ou ainda com cerveja, tirada na hora, em garrafas, latas, canecas, tulipas, espumantes.

Para brindar o saldo dos flertes e as conquistas amorosas com vinho, preferencialmente branco, os vienenses foram além dos cafés e levantaram as heuriges, bares voltados para os prazeres de Baco e que, localizados a quilômetros do centro, costumam ter vinhedos no lugar de quintais. Imagine um lugar romântico. Pois algumas heuriges superam, principalmente em dias de calor, mais ainda no verão, quando os dias são longos e o sol demora para se pôr. As mesas de madeira ao ar livre, com toalhinha quadriculada, compõem um dos cenários mais acolhedores e aconchegantes do mundo, com o verde das heras escorrendo pelas paredes, o tremeluzir das velas substituindo a luz do sol, as vinhas desenhadas no contraste das montanhas, os telhados de Viena ao fundo. Depois de uma ou duas jarras de vinho, acompanhadas de canapés decorados, salames, presuntos e patês, aquele clima, aquela luz, como disse uma vez Drummond no Poema de Sete Faces, botam a gente comovido como o diabo.

Não é nada difícil se comover ou ficar com ares sonhadores nos quase quarenta teatros e casas de ópera, mais de sessenta museus e os três palácios de Viena, ainda mais se você é do tipo que gosta de preencher espaços vazios com a imaginação. Para tanto, em um dentre vários exemplos, basta passear pelo corredores e salões do Schönnbrun, o palácio de verão da nobreza, idealizado para ser o maior no gênero no mundo com seus jardins empetecados, suas centenas de aposentos, sua mobília e dourados maravilhosos, pensado e edificado para ser ainda mais suntuoso e monumental que o Versailles. O dinheiro, no entanto, acabou antes que o palácio austríaco batesse o francês. Mas, mesmo sem o título de maior do mundo, foi de lá, principalmente, que a imperatriz Sissi e o imperador Francisco José conduziram os estertores do império, servindo de inspiração para uma trilogia de filmes sobre o casal imperial, protagonizada na década de 50 pela mais famosa atriz austríaca da época. Romy Schneider, muito antes de outro austríaco, bem menos gracioso, Arnold Schwarzenegger, tornar-se ídolo das telas.

Ainda hoje, se você conseguir abstrair as longas filas de turistas japoneses nos salões do Schönnbrun, é possível enxergar o espírito das damas vestidas com espartilhos e vestidos rodados sendo tiradas para valsar por cavalheiros, duques e barões engalanados em uniformes impecáveis, enquanto Strauss, em carne e osso, conduz os músicos da orquestra e os cavalos das carruagens relincham do lado de fora. Da mesma maneira, em alguns cafés mais tradicionais, como o Demel, o Central ou o Sarcher, no hotel de mesmo nome - que inventou a sarchertorte, uma legítima e divina dádiva culinária -, é possível ver de relance o perfil de Freud e seu charuto cheio de significados e interpretações psicanalíticas discutindo com os pensadores do Círculo de Viena.

Dependendo da história de seus antepassados, também é possível, sem valer-se de recursos da imaginação ou de evocações do império, emocionar-se - para o bem ou para o mal - com o passado recente da cidade, que formou fileiras com os nazistas e foi bombardeada pelos aliados. Na saída da Stephansdon, a catedral mais bela da cidade, com imponência gótica e maravilhas renascentistas, há fotografias que mostram como a igreja foi arrasada pelas bombas. Para quem ama a arte acima de tudo, dá vontade de chorar ao ver destruídos o quase inacreditável telhado feito em mosaico, os púlpitos esculpidos em blocos gigantes de pedra, as relíquias de arte sacra, o órgão centenário contrastando com os soberbos vitrais, entre outras maravilhas que encantam até mesmo as pessoas que acham que igreja, por mais esplendorosa que seja, é sempre uma visita aborrecida. Para quem, por sua vez, ama a vida acima de tudo, ainda mais a vida dos seres que o nazismo levou, a destruição de uma catedral inestimável parece pouco perto do que os simpatizantes nazistas mereciam.

De qualquer forma, a guerra acabou há muito, assim como a era de ouro da música clássica. O que deu lugar a ambos é uma cidade onde se respira arte, música e tudo o mais que satisfaça as exigências dos bons vivants, como exposições e acervos espetaculares de quadros e esculturas, de todas as tendências e escolas. Come e bebe-se admiravelmente bem em Viena. seja a comida típica, que se parece com a alemã, seja a cozinha internacional. Seus doces e tortas, como as sonatas de Mozart, são obras de arte, com farinha e açúcar no lugar de bemóis e sustenidos. Encontra-se de tudo na cidade, embora, reconheça-se, com preços nem sempre muito em conta. Mesmo num dia sem graça como uma terça-feira à tarde, a maioria dos vienenses parecem saídos de um desfile de moda: os homens com ternos impecavelmente bem cortados, as mulheres com modelos tão ou mais elegantes do que os parisienses, sejam eles da linha casual ou executiva.

Caso não se vivesse tão bem por lá, só a oportunidade de se sentar em um dos cafés e de estar cercado por mil anos de história e cultura, pelo que de melhor a tradição legou e a modernidade técnica aprimorou, já seria suficiente para reservar passagem para Viena. Os brasileiros, no entanto, preferem destinos mais na crista da onda, como Paris, Londres, Nova York e, em escala menor, Roma, Madri, Lisboa e Amsterdã. Para muita gente, será uma surpresa saber que em Viena há um pouco de cada um deles. Viena tem os cafés parisienses, os shows e malucos de Londres, um lado moderno e vanguardeiro como o de Nova York, a tradição romana, a vocação para o vinho dos espanhóis. doces tão ou mais saborosos que os portugueses e as bicicletas de Amsterdã.

Além do mais, são poucas as cidades que sabem o que é estar incrustada num país com mil anos de história, espelhados em sua arte, costumes e arquitetura - Viena é uma cidade onde se deve andar olhando para cima, tamanha a quantidade de detalhes e estilos arquitetônicos dos prédios. Essa história começa no dia 1º de novembro de 996, quando o imperador Otto III deu de presente ao bispo de Freising um lote de terras popularmente conhecido como Ostarrichi. Por conta deste belo regalo, o nome Ostarrichi - depois Österreich, Áustria - aparece pela primeira vez num documento e na geografia universal. Mais tarde, a região abrigou num acampamento romano chamado Vindobona, muito parecido com os de Babaorum, Petibonum, Aquarium e Laudanum, aqueles que Asterix e Obelix enchiam de sopapos nas histórias em quadrinhos. No século 10, a dinastia dos Banberg domina a cidade e a transforma num importante centro comercial. A cereja no topo do sorvete continua lá na forma de museus e de todos os outros lugares que comportam arte de boa qualidade. O sorvete dos Habsburgos, porém, derreteu com o final da Primeira Guerra Mundial.

Mas não é preciso saber nada disso para apreciar Viena, embora seja fato consumado que os brasileiros sabem pouco da capital da Áustria - e até aí, tudo bem, os vienenses sabem menos ainda do Brasil. A cidade é pequena e compacta, dividida em distritos semelhantes aos arrondissements de Paris. Tem 2 milhões de habitantes, o que a torna um caso raro no mundo, uma das únicas capitais que tinha mais moradores em 1918 (2,6 milhões) do que hoje. Em dois dias, com um mapa na mão e disposição para andar, nem dá mais tempo para se perder. Você esbarra o tempo todo com os principais pontos de referência, como a catedral Stephansdon, a Casa de Ópera, a Prefeitura, e o Hofburg. Se não quiser guardar todos esses nomes, grave só dois que você se localiza bem: o parque Stadtpark e a praça Karlsplatz, onde fica a Karlskirche, outra importante igreja, no meio de um parque na saído do metrô. Em suas caminhadas, fique certo de uma coisa: dificilmente você será assaltado por mais tarde que seja. Viena é uma das cidades mais seguras da Europa.

A única coisa que dificulta um pouco a movimentação, às vezes muito, é a língua. a alemã no caso. Se você não tiver um mapa num idioma conhecido ou um interlocutor que fale algo que dê para reconhecer (a maioria dos vienenses fala inglês e às vezes italiano), aproveite que são suas férias, não se enerve e se divirta com as bobagens que você inevitavelmente irá fazer. Conhecem-se casos de turistas que, querendo encontrar o centro da cidade sem um mapa na mão, decidiram seguir uma das placas mais comuns, que aparecia em muitas esquinas: einbahn. O raciocínio até que não era dos piores: em todas as cidades, o centro costuma ser muito bem sinalizado e, além disso, ein lembrava o radical latino eu (núcleo) ou mesmo o in, inner (interior, para dentro) dos ingleses. Pois então o turista virou à direita, depois à direita de novo, e mais uma vez e mais uma e chegou ao mesmo lugar. Aprendeu então que einbahn não quer dizer centro, e sim mão única.

O desconhecimento, no entanto, não se restringe à língua. Além dos concertos, muitos crêem que em Viena os maiores espetáculos ficarão por conta dos famosos cavalos adestrados da Escola Espanhola, dos salões de baile e da comovente exibição dos Meninos Cantores. São três erros no mesmo senso comum. Os grandiosos salões de baile - com baile - são muito raros e nem sempre estão em cartaz. O melhor deles acontece uma vez por ano, em fevereiro, na última quinta-feira do carnaval vienense, no Vienna Opera Ball. Os Meninos Cantores estão sempre lá e geralmente se apresentam aos domingos na Hofmusikkapelle Wien, no Hofburg. A música é maviosa, mas não espere ver os meninos - você apenas irá ouvi-los, uma vez que eles ficam num balcão da capela, inexpugnável aos olhos. Só quem consegue enxergá-los são as pessoas que não conseguiram assento e ficaram do lado de fora da igrejinha, onde há uma televisão que passa a apresentação. Quanto aos cavalos. é mesmo um belo espetáculo, a ourivesaria da equitação, o primor do adestramento, tudo aquilo que se ouviu dizer - para quem aprecia equitação. Para quem gosta mais de outro tipo de arte, e portanto não sabe apreciar esta como se deve, são apenas uns tantos cavalos dando voltas, levantando patas e passando entre postes durante quase duas horas. Chato.

Resta o consolo de que os vienenses têm senso comum em relação aos brasileiros ainda pior do que o nosso em relação a eles. A maioria dos austríacos tem uma imagem lamentável do Brasil, uma imagem que se pode chamar de erótico-tenebrosa. Além do carnaval e do futebol, o país é conhecido por suas mulheres, por chacinar crianças e também por roubar órgãos internos dos turistas. A parte do assassinato de crianças é compreensível, uma vez que a imprensa internacional dá especial atenção a extermínios de menores, como o da Candelária. Já a crença do furto de órgãos é inexplicável. Muitos austríacos acreditam piamente na possibilidade de que, andando no Rio de Janeiro ou Recife, um turista europeu seja dopado sem perceber e depois, desmaiado, seja levado a uma clínica clandestina. Horas depois, quando acordar, já largado em alguma praia, perceberá que teve um de seus rins ou pulmões extirpados. Ninguém sabe explicar a origem desta imaginária ameaça verde-amarela, mas o fato é que o mito existe e muitos austríacos dão vazão a ele. Os brasileiros, antes de se irritarem, divertem-se com a lenda.

Quanto à imagem das mulheres brasileiras, bem... esta é irritante. Em resumo, para muitos vienenses (mas, sejamos justos, para metade do planeta também), as moças desacompanhadas são consideradas fáceis, disponíveis demais, loucas por um romântico rapaz que lhes ofereça acomodação gratuita e noites no quentinho. As mulheres vienenses tentam ser politicamente corretas, fazem que não estão nem aí com a concorrência, mas fica na cara que acham a suposta conduta das brasileiras desprezível. Os homens, por sua vez, também tentam disfarçar mas ficam assanhados só de pensar e torcendo para que os cafés sejam inundados de lindas e sedutoras brasileiras desacompanhadas.

Com isso, pode-se achar que os austríacos são antipáticos, ainda mais com brasileiros. Nada disso. Eles nos tratam com cordialidade, e só revelam o que pensam depois que adquirem confiança no interlocutor. Mesmo assim, sentem-se desconfortáveis em revelar o que lhes vai pela alma. Preferem a discrição. Os vienenses são na verdade uma mistura de alemães com italianos. A primeira vista, têm aquela formalidade e distanciamento germânicos, aquele jeito algo robótico e milimetricamente calculado de fazer as coisas e de se relacionar. Depois que o gelo se quebra, de alemães só resta o gosto pela bebida e o temperamento propício às discussões acaloradas, mas com a afabilidade, o humor e malícia dos italianos. Este calor mediterrâneo, no entanto, só aparece, na maior parte do tempo, em eventos sociais. No dia-a-dia, a porção germânica fala mais alto, embora eles não se incomodem de interromper seus passos para dar explicações a um turista.

De qualquer modo, aquilo que é claro e translúcido geralmente não requer explicações. E se há algo evidente em Viena é que, além da alma musical que abençoa a cidade, existe o espírito milenar de uma era magnífica que contagia pessoas, cafés, ruas, esquinas e parques.

Para o mundo, Sigmund Freud foi um dos maiores pensadores de todos os tempos. Mas para os moradores da Rua Berggasse, entre 1891 e 1938, era também um vizinho meio excêntrico. Freud viveu em Viena dos 4 aos 82 anos. Dentre seus 83 anos de vida, passou 47 no número 19 da Berggasse. Em 1938, quando os nazistas invadiram Viena, partiu para Londres, onde morreu no ano seguinte. Por ser de origem judaica e autor de uma obra revolucionária, seus livros foram dos primeiros a ser queimados.

O Danúbio era apenas um rio que nascia na Alemanha, cruzava a Áustria e desembocava em terras russas até o dia em que Strauss compôs a valsa mais famosa do mundo. A partir dai tornou-se símbolo de Viena - embora, na verdade, o rio, em si, passe meio longe do centro da cidade, O que se vê ao lado é apenas um canal dele, este sim enfeitando uma região mais central. Hoje, de azul o Danúbio não tem nada. A poluição tornou-o esverdeado.

O pequeno Wolf nasceu em 1 756 em Salzburgo, a 298 quilômetros da capital do império. Mudou-se para Viena só aos 26 anos. Aos 6, tocou piano para a corte e, aos 12, escreveu sua primeira sinfonia. Até aí era apenas um talento precoce. Com o passar dos anos, no entanto, compôs obras sublimes como a Flauta Mágica, as Bodas de Fígaro e, principalmente, o Requiem. Com isso, o menino precoce virava lenda e dava lugar a um dos maiores gênios musicais da humanidade.

Sissi, esposa de Francisco José, o último governante do império austro-húngaro, a imperatriz Elisabeth foi um daqueles casos em que a população simpatiza tanto com sua mandatária que só a trata pelo apelido. Tem gente fora da Áustria que nem sabe que as imperatrizes Elisabeth e Sissi são a mesma pessoa. Ela tinha tanto carisma que, mesmo depois de sua morte. arrastou multidões ao cinema para assistir a uma trilogia de filmes da década de 50.

O Strauss famoso, na verdade, eram dois. O pai, Johann I, autor de marchas e valsas do século 19, e o filho, Johann II, que compôs verdadeiros hinos valsantes de Viena. O primeiro deles foi o No Belo Danúbio Azul, de 1867, que pegou mais do que uma marchinha no carnaval. Com o sucesso, Strauss repetiu a fórmula em outras celebrações da cidade, como Contos dos Bosques de Viena e Sangue Vienense.

O coral mais famoso de Viena foi criado em 1498 pelo imperador Maximiliano I, um grande incentivador das artes. Como todo mundo gosta de criança, ainda mais as que cantam eximiamente Mozart, Haydn e Schubert, desde então virou uma grande sensação, atraindo gente de outras partes do mundo para assistir a suas apresentações. Hoje, os Wiener Sängerknaben tocam aos domingos de manhã numa capela construída no século 13. Lá, você pode ouvi-los, mas não tê-los.

O Beijo, do grande Gustav Klimt, que nasceu em 1862 em Baumgarten, perto de Viena. Foi um mestre em pintar mulheres. Durante sua vida, comprou várias brigas, estéticas e políticas, principalmente quando retratava personagens do Velho Testamento (Judith, por exemplo) como femmes fatales vienenses.

A primeira providência ao chegar é ver o que está em cartaz na cidade - peças balés, shows, concertos, bailes, óperas, os horários das apresentações dos Meninos Cantores, da Escola Espanhola de Equitação, os dias de funcionamento dos museus e por aí afora - e reserve seu ingresso. Algumas destas atrações são bem concorridas. Eis dois endereços de agências para comprar ingressos antecipados: Reisebüro Intropa, na Kärntnerstrasse 38 (515 14-225), e Viena Ticket Service, que fica na Bórsegasse 1 (534-1775). Depois disso, para se familiarizar com a cidade, você pode fazer um programa tão tipicamente turístico quanto agradável: andar de charrete. É meio caro, 50 dólares por meia hora, mas, como cabem quatro pessoas, sai por pouco mais de dez dólares para cada um. Há vários pontos de carruagens espalhados pela cidade. Dois deles são: o da Stephanplatz e o do Hofburg, o palácio imperial de inverno que hoje abriga, entre outros, a sede do governo austríaco. Almoce no Sacher (Philarmonikerstrasse 4) e coma sacherorte de sobremesa. Fica bem atrás da Casa de Ópera. A seguir caminhe muito pelo centro, gaste mesmo a sola do sapato conhecendo os principais pontos de referência. Não deixe de entrar na Stephansdon, a igreja mais famosa de Viena, cujo telhado em mosaico é formado por 250 mil peças sobrepostas. Dê uma de joão-sem-braço e junte-se a um dos muitos grupos de excursão e fique ouvindo as explicações do guia. São interessantíssimas. Se der, passeie pelas catacumbas. No jantar, experimente a comida austríaca, muito parecida com a alemã. Tente o moderno Plachutta (Wollzeile 38, 512-1577) ou o Zum Schwarzen Kameel (Bognergasse 5, 533-8967), um dos mais tradicionais, que foi freqüentado, inclusive, por Beethoven.

Destrinche o Palácio Schönnbrun, onde viveu a princesa Sissi. Para se ter uma idéia de suas dimensões, ele tem 1 400 salas e quarenta cozinhas. Lá, você conhece lugares históricos, como a Sala dos Espelhos, onde Mozart tocou pela primeira vez em Viena, aos 6 anos de idade. Pode-se optar por dois tours internos, sempre acompanhados de um guia. O primeiro custa 8 dólares, demora meia hora e cobre 22 salas. O segundo leva o dobro do tempo, visita quarenta salas e custa 11 dólares. Não deixe de ver também os jardins do Schönnbrun, que são belíssimos e merecem caminhadas bem demoradas. Ao final dos jardins, está a entrada do zoológico, outra coisa que vale a pena conhecer, inclusive pelo café que funciona lá, onde você pode tomar um lanche. À noite, continue explorando a comida austríaca. Vá ao Halali (Neuer Markt 2, 512-8410), que tem bons pratos de caça, ou o Stadtbeisl (Naglergasse 21, 533-3507), uma casa do século 18 muito procurada por turistas.

Mergulhando na cultura comece pelo Hofburg, o palácio de 2 500 salas que faz parte de um complexo que inclui o gabinete do presidente, igreja a capela onde os Meninos Cantores exibem seu talento (entrada a 28 dólares). o salão de apresentação dos cavalos da Escola Espanhola (29 dólares o ingresso), a Biblioteca Nacional e diversos museus. Você pode entrar tanto pela Michaelerplatz, onde há ruínas com 2000 anos de idade, ou pelo Opernring, um anel viário que abraça Viena. Esta entrada também dá acesso aos jardins do Burggarten, onde está a estátua de Mozart.

A partir do Hofburg, atravessando a rua, você dará com uma praça em cujo centro há uma imponente estátua da imperatriz Maria Theresa. Em seu reinado, entre 1740 e 1780, Viena tornou-se a capital musical da Europa. Olhando-a de frente, à sua esquerda estará o Museu de Belas Artes, com quadros maravilhosos de pintores magníficos como, por exemplo, Rubens e Rembrandt, além de relíquias orientais e egípcias. À direita, por sua vez, você verá outro prédio, parecidíssimo com o primeiro. É o Museu de História Natural. No final da tarde, às 5 horas, com o ingresso que você comprou no primeiro dia, chegou a hora de assistir à apresentação do Das Wiener Konzertduo, um concerto de violão e celo para uma seleta platéia de quarenta pessoas na Sala Terrena, onde Mozart tocava para os amigos. Fica na Singerstrasse 7, 310-5720, perto da Stephansdon. O ingresso custa 40 dólares. Você pode jantar lá perto no Zum Kuckuck (Himmelpfortgasse 15, 512-8470), que serve uma mistura de comida vienense com internacional, ou no Do & Co, com vista para a igreja iluminada.

Falta só um palácio para conhecer, o Belvedere, ou Bellevue, em cujo interior há um belo museu que geralmente abriga exposições importantes. Do lado de fora, passeie pelos jardins e aprecie a paisagem. É do Belvedere que se tem uma das mais belas vistas de Viena, com seus telhados coloridos e a torre da Stephansdon saltando do meio deles. A seguir, para não perder o embalo dos cenários amplos, aproveite que você está meio longe do centro e siga até o Prater, onde fica um parque e diversões, com a maior roda-gigante da Europa, da qual se vê toda Viena. Coma no restaurante Lustaus, que fica na ponta oposta da avenida Hauptalle, perto do campo de golfe.

Mesmo que você não seja muito chegado a encucações, vale a pena iniciar o dia pela Casa de Freud, hoje museu, literalmente o berço da psicanálise. Fica na Berggasse 19 (319-1596) e abre diariamente das 9 às 16 horas. É verdade que a maior parte dos objetos e escritos de Freud está em Londres, mas a vantagem é que aqui se vê o que ele via quando tecia suas teorias. Se você vir alguém emocionado às lágrimas, não tenha dúvida, trata-se de um psicólogo. Saindo de lá, conheça o Mak, Museu de Arte Aplicada, na Stubenring 1 (71-1360), o deleite dos arquitetos, com peças para casa, vasos, móveis, tapetes, pequenas esculturas e muito mais. Almoce no delicioso café do Mak, cuja entrada fica no número 5 da mesma rua. Os pratos são bons e baratos, principalmente a panqueca de espinafre - uma refeição sai 25 dólares por pessoa, com sobremesa e café. Se estiver calor, fique nas mesinhas do lado de fora. A tarde, mas só se tiver sol, faça um programa tipicamente vienense: vá para as bandas da ONU, pegue o barco e desça na Ilha do Danúbio, onde há bares, cafés e quiosques que vendem ótimos sanduíches de carne ou presunto. À noite, depois da Spera, dê um descanso a seu estômago e jante comida japonesa. O melhor restaurante deste gênero na cidade é o Kikkoman Hoshigaoka (Führichgasse 10, 512-2720).

Veja também os museus e as outras atrações que faltaram. Das 17 horas em diante, explore as heuriges de Viena. A palavra quer dizer "desté ano", ou seja, o vinho é novo. Em teoria e geralmente na prática, os donos devem produzir o vinho que vendem. Se, na porta, houver a inscrição eigenbau, isso quer dizer que a fabricação é caseira. Para acompanhar o vinho, eles têm patês, carnes, queijos e pães sublimes. A região mais famosa e procurada pelos turistas chama-se Grizing. Há heuriges encantadoras lá, embora já não sejam tão autênticas como as de Sievenng. Há boas também em Heiligenstadt. como a Mayer am Pfarrplatz, que fica no final da Kahlenbergerstrasse. Visite outro cartão-postal de Viena, a Hundertwasser Haus, naesquina da Löwengasse com Kegelgasse. É uma bela obra arquitetônica moderna. Em frente, há uma pequena e acolhedora galeria com lojinhas e lugar para tomar lanche. Depois, volte para o centro e, para descansar de tanto passeio e deixar Viena com uma lembrança magistral na memória, conheça o Stadtpark. Se for verão, época em que o sol só se põe às 22 horas, sente-se a uma das mesas do Kursalon, peça uma torta, um café e assista ao concerto de um quarteto de cordas, que começa por volta das 17 horas e acaba lá pelas 19 horas. É grátis. No inverno não há espetáculo. Jante no Stomach (Seegasse 26, 310-2099), que tem comida vegetariana para quem quer emagrecer e pratos bem gostosos de massa para quem não liga para essas coisas. As cervejas daqui são excepcionais.

Restaurante bom é o que não falta, com todo tipo de comida, de italiana a indiana. Mas, em geral, os cafés são ainda melhores. Para tomar um mélange, com creme e acompanhado de um copo d´água, tente o Hawelka (Dorotheergasse 6), um dos mais charmosos, com uma atmosfera boêmia. Não estranhe se um desconhecido sentar-se à sua mesa. Isso é comum na Europa. Dois obrigatórios são o Central (Palais Ferstel, na Herrengasse), justamente festejado por escritores como o austríaco Arthur Schnitzler, um dos grandes nomes da literatura universal - a decoração do Central é esplêndida -, e o Landtmann (Dr Karl Lueger Ring 4, perto do Burgtheater), que era freqüentado por Freud e hoje é ponto de encontro de jornalistas e políticos. Não deixe de conhecer também o Sperl (Gumpendorfer strasse 11), com mesas de snooker e cheio de jovens. Outro café soberbo pode ser tomado na Confeitaria Demel (Kohlrmarkt 14), de preferência junto com tortas e doces. Os jogadores de bridge e de outros carteados não podem ir embora sem passar antes no Prückel (Stubering 24). Embora maravilhosos, os cafés não são baratos. Cada café (a bebida custa cerca de 5 dólares, em média. Para almoçar ou jantar, um ótimo restaurante é o Altwienerhof, na Herklotzgasse 6 (829-6000), com uma bela amostra de queijos austríacos e adega com mil tipos de vinho. O cardápio inclui frutos do mar como linguado e lagosta. No mesmo nível, há o Steirer Eck, na Rasumofskygasse 2 (713-3168), onde, a partir das 10 da manhã há um famoso gabelfrüstück, que quer dizer café da manhã no garfo, e inclui uma mistura de vísceras de aves. Se quiser almoçar num cartão-postal, vá ao Do&Co que fica na Haas Haus, o shopping envidraçado da Stephansplatz, com vista para a igreja (535-3969). Este restaurante de comida internacional, que vai de bifes a sushi, é o mesmo que fornece refeições de bordo da Lauda Air, a companhia do ex-piloto austríaco Niki Lauda. Andando pelas ruas, como a Kärntnerstrasse. não deixe de provar os doces e as tortas dos quiosques. A de morango, com gelatina cremosa, custa pouco menos de 5 dólares. Se quiser fast food, tente o ótimo Nordsee, de frutos do mar. Há vários, inclusive na Kärntnerstrasse.

Embora em matéria de compras Viena não seja como Paris, Londres ou Nova York, a cidade tem lojas com as principais marcas européias e americanas. Mas, apesar de haver coisas bonitas, algumas maravilhosas, os preços inibem um pouco o consumo. Além disso, só agora Viena está começando a entrar na era dos shopping centers. O mais famoso deles é o chamativo Haas Haus, na Stephansplatz. Tem lojas de roupas, de porcelanas e de discos, entre outras. É bonito, mas está longe de ter a variedade dos shoppings das capitais brasileiras. Você tem muito mais chances de encontrar o que quer percorrendo as lojas da cidade. Uma das principais ruas do comércio chique é a Kärntnerstrasse (strasse quer dizer rua), que começa na Casa de Ópera, no centro. Lá existem magníficas lojas de cristais, como a J & L Lobmeyer, no número 26, com copos, vasos, cinzeiros e por aí afora. Os preços vão de 10 dólares ao infinito. Mais barato, outro bom endereço para comprar coisas de porcelana e cristal é a Albin Denk, na Bräunerstrasse 3, que abriu suas portas em 1 702. Na rua Kartner, você acha também, por exemplo, lojas naturebas, como a inglesa Body Shop, marcas famosas de relógio (Rolex e Swatch), roupas caras, como os maravilhosos casacos da Resi Hammerer, nos números 29-31. Se tiver entre 200 e 500 dólares para fazer este investimento, vale a pena. Outra loja bacana de roupas é a Knize, que fica na Graben 13. Existe desde os tempos do império. Se você é do tipo que gosta de mercado de pulgas, o mais famoso de Viena acontece aos sábados. Para chegar até lá, pegue o metrô e desça na estação Kettenbrückeng. Caso queira saber de onde vinham aquelas cadeiras bem torneadas de palhinha que havia na casa de seus pais ou avós, vá até a Kohlmarkt 6. É lá que fica a loja da Thonet, a mais famosa marca de móveis austríaca. A rua do comércio mais popular chama-se Mariahilferstrasse.

Se o seu negócio for um lugar romântico para levar o seu par, tente uma das heuriges, espécie de tavernas de vinho. O bairro mais conhecido por suas heuriges é Grizing, embora a mais charmosa delas, a Wolff, não fique ali, e sim na Rathstrasse 44-46 (440-2335). Em Heilingenstadt, outro bairro de heuriges, conheça a Welser, que fica na Probusgasse 12. É menos romântica e mais agitadinha. Um litro de vinho branco custa entre 10 e 12 dólares, dependendo do tipo. Se o que você quer é cair na noite, tente no final de semana os bares da Schwedenplatz, o Triângulo das Bermudas vienense. A região é pequena, há muitos shows, principalmente de jazz, e vale a pena ficar saindo de um bar e entrando no outro. Comece, por exemplo, com o Roter Engel, na Rabensteíg 5. Para botar para quebrar, arrisque-se no U 4 Club, um dance dos mais movimentados. Em cada dia da semana, como dizem por aí, rola um som diferente. Música alternativa na segunda, balanço de festa na terça, techno na quarta, pauleira na sexta, a intragável house no sábado e música dos anos 70 no domingo. A quem interessar possa, a noite de quinta-feira é voltada para os gays. O U4 fica na Schönbrunnerstrasse 222 (85-83 18). Se você tiver curiosidade de conhecer a disco mais antiga de Viena, siga até a Atrium (Schwindgasse 1), que toca principalmente música das décadas de 60 a 80. Os amantes do jazz podem, apesar do nome, dirigir-se sem receio ao Bom Bom, na Johannesgasse 33, onde há shows ao vivo na maioria das noites. Aos domingos, uma outra boa opção é o Chelsea, que fica na Piaristengasse 1.

Entre setembro e novembro é outono em toda Europa. O clima já começou a esfriar e oscila entre 15 e 5 graus. Nessa época, o sol costuma aaparecer umas 4 hora por dia. E frio, mas nada comparado ao inverno. Entre junho e agosto, é tempo de verão, quando a temperatura pode ir a mais de 30 graus.

No outono, o figurino já é de inverno: leve pulôveres e sobretudo para não passar frio. Cachecol e luvas forradas também vêm a calhar. Meias grossas, por favor. Os casaquinhos usados para o inverno brasileiro não dão nem para o começo, ainda mais se ventar. 

No verão e na primavera, você pode tomar o seu café ao ar livre, seja nos parques, seja no centro da cidade. No inverno, em janeiro, há o Fasching, o famoso carnaval vienense. No outono, a temporada cultural se intensifica, nos teatros e óperas.

São três as maneiras de se locomover. Em primeiro lugar, suas pernas. A cidade é ótima para caminhar. Em segundo, o metrô, por onde se chega em quase todos os lugares - e, quando não chega, há sempre um ponto de ônibus do lado. Uma dica: compre um passe de 72 horas. Vale para toda a rede de transporte e custa 18 dólares.

Um, dois ou três dias é muito pouco. Só dá para ver os pontos principais, sem usufruir o que a cidade tem de melhor. O ideal é ficar algo entre uma semana e doze dias. Com menos tempo do que isso, fica até difícil encontrar bilhetes para os melhores espetáculos.

A cidade tem muitas lojas inacreditáveis de gravatas. Ao lado da Casa de Ópera há uma; alguns passos adiante, na Kärntner, há outra. São caras, custam em média 60 dólares, mas valem a pena. Outra coisa são os copos de cristal. Embale com cuidado que eles chegam.

A gorjeta gira entre 10 e 20% nos restaurantes. Para não errar, dê 15%. O serviço geralmente não está incluído na conta. Se você não der nada, eles interpretarão que você achou a comida uma droga. Nos táxis também é comum somar-se 15% ao final da corrida. Nos hotéis, para o carregador, calcule 10 xilings por mala.

O principal escritório oficial de informações turísticas fica na Kärntner Strasse 38, atrás da Casa de Ópera, cujo telefone é 513-8892. Há outros também, como o da Margarettenstrasse 1. O telefone de lá é 587-2000. Nestes endereços, você encontra bons mapas de Viena, que mostram como chegar nos lugares.

É preciso comprar ingressos com antecipação para não dar com a cara na porta. Alguns espetáculos são muito concorridos. Eis o endereço de duas agências: Reisebüro Intropa, na Kärtnerstrasse 38, fone 515 14-225, e Viena Ticket Servive, que fica na Börsegasse 1, cujo telefone é 534-1775.

 

 

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